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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Entrevista: K-Salaam e Beatnick conversam com o Rapevolusom.



O Rapevolusom  conversou de maneira exclusiva com os produtores americanos K-Salaam & Beatnick. A dupla está trabalhando em um EP em parceria com o rapper Emicida e nesta agradável entrevista, conseguimos saber detalhes sobre o projeto, o processo de gravação e sobre a carreira dos produtores que a cada dia consolidam suas produções entre as melhores do mundo.

K-Salaam & Beatnick explicaram como foi o início da carreira, falaram sobre remixar alguns clássicos , explicaram a crianção dos discos “Whose World Is This?”, “Where The Streets Have No Name” e outros assuntos.

Os produtores dedicaram metade desta entrevista para falar sobre o projeto que estão trabalhando em parceria com o rapper Emicida, sobre o talento musical do cantor/rapper Rael da Rima, como foi trabalhar com brasileiros e alguns detalhes curiosos sobre a passagem de toda equipe de brasileiros por NY.

Esta foi uma entrevista que movimentou uma boa parte da equipe do Rapevolusom e aonde Eu, Charle, Okocha, Big Boss e Nubiha tivemos a oportunidade de questionar coisas interessantes sobre a carreira dos produtores. Obrigado Time..


Bruno “B.DoG” Inácio.

CHECK OUT - AFTER THE PORTUGUESE VERSION A FULL INTERVIEW IN ENGLISH. 1 – Como foi o início da dupla K-Salaam & Beatnick?

K-Salaam: Nos conhecemos por um amigo em comum. Escutei o CD com os beats dele, e fui encontra-lo para trabalharmos em algumas faixas. A primeira faixa que fizemos foi para um artista daqui, chamado Saigon. Eu editei um remake de Jazz-rock do “Scarborough Fair”, Beatnick adicionou o teclado, a Bassline, e a virada da bateria. Enviei para o Saigon, e ele curtiu completamente. Ele gravou no outro dia. Depois disso, eu perguntei se o Beatnick queria trabalhar em tempo integral comigo. Contei pra ele dos meus planos de se mudar pra NY – nós estavamos em Minnesota naquela época . Ele entrou nessa. Esse foi o começo

2- Qual é a maior facilidade e a maior dificuldade de produzir em dupla?

Nick: Bem, isso é um modo bem eficiente de produzir, porque eu lido com a maioria das músicas, e K cuida dos negócios. E considerando que os dois trabalhos são mais integrais, isso requer no mínimo duas pessoas para manter as coisas se movendo em um ritmo decente. Nós respeitamos o espaço de cada um, e nós dois somos bons no que fazemos, podemos dizer que deixamos cada um fazer a sua parte, e confiamos que nós dois mantemos as coisas girando.

3- O disco “Whose World Is This?” foi um dos primeiros trabalhos a conseguir um destaque mundial, qual a opinião de vocês sobre este disco que contou com artistas tão diferentes?

K-Salaam: Não quero soar arrogante, mas eu acho que esse foi definitivamente um dos melhores álbuns já feitos. Não sei mais o que dizer. Beatnick e eu arrumamos nosso coração e alma nesse álbum. Esse projeto continha um pedaço de nossa alma. Isso representou um tempo real de nosso vidas, quando estavamos tentando criar uma voz por nós mesmos. Musicalmente é um conteúdo inteligente, não seguramos nada. Eu amo esse álbum. A gravadora não fez nada para ajudar. Eles realmente largaram a bola. Mas sem mágoa, a vida continua.

4- Ainda falando sobre o álbum “Whose World Is This?” como vocês descrevem o som “Streetlife”?

Nick: O som que eu estava querendo era algo meio electro, retirado do ‘Roxanne’, do The Police.

5- O álbum “Never Can Say Goodbye” é repleto de sons clássicos (“I’ll Be There” do Michael Jackson, “What’s Going On” do Marvin Gaye e outros), como foi remixar estas músicas sem que elas perdessem o encanto?

Nick: Bem, não tome esses remixes como fracos. Mas a ideia básica em primeiro lugar era evitar de cair na rota ‘hipster’ previsível dos antigos clássicos com sons sintetizados. Eu queria fazer longas músicas. Então eu escutava a acapela sozinho, e usava o violão para achar as estruturas de acorde. Isso automaticamente fez com que a música soasse diferente, e ainda mantendo o sentimento original. Então eu fui construindo o beat.

6- A série S.T.O.R.Y (Stories Told Over Remixed Years) trabalhou os sons do Commom, Vocês acham que trabalhos como este conseguem revitalizar a carreira dos rappers?

K-Salaam: Hmmm… essa é uma boa pergunta. Eu não acho que o Commom precisava disso para sua carreira ser revitalizada, nem mesmo quando o “STORY” saiu. Mas sim, defintivamente eu acho que um projeto como esse for lançado, e o artista não tiver subindo, então sim, eu poderia ver isso revitalizando a carreira de alguém

A coisa sobre esse projeto foi que era nosso primeiro trabalho depois da “Whose World Is This?”, e mesmo assim era muito underground, e isso teve mais impacto que o nosso álbum, chegou as ouvidos de muita gente influente.

7- Em “Where The Streets Have No Name” muitos estilos e artistas se encontraram dentro do mesmo trabalho. É esta a visão da dupla K-Salaam & Beatnick, produzir vários artistas independente do estilo?

Beatnick: Sim, nossa música é bastante versátil, então naturalmente isso atrai artistas de diferente estilos. Não é uma coisa que conciêntemente tentamos fazer. Mas isso é parte do que continua soando como novo. Além disso, é muito divertido e também desafiante trabalhar com artistas de fora dos EUA.

8- Qual a influência da reggae music em suas produções?

K-Salaam: Eu na verdade apresentei Beatnick ao Reggae. Quero dizer, ele conhecia Bob Marley, Buju e etc… mas longe dos artistas mais raiz daquela época – Sizzla, Luciano, Anthony B e etc. Na verdade eu apresentei o Beatnick ao novo movimento do Reggae. Agora Beatnick é o produtor que mais mete a mão na massa dos dois. Mas eu venho com várias ideia também, e com a visão do nosso projeto em general. Então, sendo o DJ que eu sou, e incorporando o Reggae nos meus Sets, eu sei como as pessoas reagem a essa música. Este ‘sentimento’ está sempre em nossa música, em nossos projetos. Então respondendo a sua questão, eu diria que o Reggae é altamente influenciante em nossa música.

9- Falando de outros gêneros musicais. Como foi Remixar o Nirvana?

Beatnick: Mais uma vez, esse é um material clássico. Essa música define uma década inteira, então eu sabia que eu teria de trabalhar nisso, não apenas para os que escutavam, mas para minha própria consciência. Mas com esse remix em particular, eu tentei umas 100 diferentes coisas, eu procurei com qual delas o vocal de Kurt se saia melhor. Eu deixei a faixa tomar seu próprio rumo, e na minha opinião terminou com um pouco de ‘Clash’ punk. Clash é uma das minhas bandas favoritas. Eles misturam vários estilos diferentes em suas músicas, o que eu tentei fazer nessa.

Os brasileiro que curtem Rap/HipHop já conheciam o trabalho de vocês, mas recentemente O Brasil todo conheceu a dupla K-Salaam & Beatnick após o anúncio do EP em parceria com o rapper Emicida e é sobre este assunto que iremos conversar agora.



“Emicida é um dos maiores artistas que já trabalhamos. Nos temos a certeza que ele vai deixar sua marca fora do Brasil.” – K-Salaam

10 – O que vocês já conheciam de música Brasileira?

Beatnick: Minha introdução a música brasileira veio por causa do meu começo tocando Jazz enquanto criança. O primeiro álbum que eu ouvi foi do Gilberto Gil e Stan Getz. É um dos meus álbuns favoritos, e eu ainda continuo ouvindo sempre. Na verdade, muitas estruturas de acordes que eu uso nas minhas músicas vez do Jazz e Boss.

11 – Como foi trabalhar com um rapper brasilieiro, a diferença do idioma representou alguma barreira?

K-Salaam: Não. Não houve problemas. Emicida e também o Rael Da Rima, são muito fáceis de ser trabalhar. Eles são nosso irmãos agora. Nós também temos muita paixão, e nossa paixão por fazer grandes música supera qualquer barreira de linguagem. Eles são um dos mais fáceis de trabalhar. Tudo fluiu naturalmente.

12 – Como aconteceu essa união de forças entre SP e NY? Vocês já conheciam o Emicida antes?

K-Salaam: Bem, sim e não. Um amigo do meu irmão disse para eles que um artista ótimo brasileiro, chamado Emicida fez uma música em cima da “Victory”, instrumental que nós fizemos - a música originalmente tinha o Mos Def e o Sizzla. Nós não sabiamos de nada, mas então escutamos ela. Obviamente não pudermos entender o que ele estava diendo, mas musicalmente, amamos. Entramos em contato, acho que eles acharam que eu queria processar eles. Mas nós queriamos era trabalhar com o Emicida. Depois que ele e a equipe dele entenderam, nos perguntaram se queriamos fazer um projeto completo. Beatnick e eu gostamos da ideia. Tudo se encaminhou apartir disso.

13 – Como vocês descreveriam o estilo do EP?

K-Salaam: Eu praticamente respondi essa pergunta acima.

14 – Pode nos revelar alguns detalhes sobre o EP? Quantas músicas foram gravadas?

Beatnick: Temos umas 5 faixas que gravamos em nosso estúdio em NYC e que estou mixando. O resto será gravado no Brasil. Mas a música que fizemos é incrível, e eu acho que é um dos melhores materiais que já fizemos. Estou muito orgulhoso.

15 – Como vocês descrevem o rapper Emicida no estúdio?

K-Salaam: Emicida é um dos maiores artistas que já trabalhamos. Nos temos a certeza que ele vai deixar sua marca fora do Brasil. Ele tem muito carisma e paixão quando está nos vocais. Sua voz pula fora do beat e acerta você. Foi um prazer e uma honra trabalhar com ele;

16 – Além do Emicida, o cantor/rapper Rael da Rima esteve presente e participou das gravações. Como vocês descrevem o talento do Rael e toda sua habilidade com as rimas e instrumentos musicais?

Beatnick: Rael é muito talentoso, e tem uma grande voz. Seu processo de composição é muito organico, fluente, e ele esteve participando da maioria das músicas que o Emicida gravou quando estave em NYC. Nós tivemos uma ideia foda para uma música que ele havia escrito, mas nunca tinha gravado, nela ele canta e toca violão. Estou ajustando o resto do beat nela.

17 – Existe alguma previsão para o lançamento do primeiro single deste EP?

K-Salaam: Sim. Mas eu não posso dar detalhes. Nós temos músicas que planejamos lançar como single. Toda as músicas são bastante fortes. Todo o projeto é extremamente forte. É complicado escolher um single.

18 – Como foram estes dias ao lado dos Brasileiros?

Beatnick: Foi uma grande experiência trabalhar com esses caras. Eles são bastante tranquilos, pés no chão, o que é dificil de encontrar hoje em dia no mundo dos negócios da música. Mas eu acho que demos certo porque eramos fãs do trabalho de cada um, e nós todos amamos música. Conseguimos fazer muitas coisas, foi uma vibe bastante descontraida, e todo mundo estava contando piadas o tempo todo.

19 – Exite algum interesse em trabalhar com outros rappers Brasileiros?

K-Salaam: Com certeza. Só depende de quem seja. Nós trabalhamos com quem o nosso coração manda trabalhar. Mas agora, estamos focados nesse álbum do Emicida.

20 – Para finalizar deixei uma mensagem para os fãs Brasileiros que acompanham o trabalho de vocês.

Beatnick: Eu agradeço o apoio e o amor de vocês. Posso falar pelo K-Salaam quando eu digo que isso nos ajuda bastante a continuar seguindo em frente e fazendo musicas melhoroes. Paz.

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